Fernando Pessoa
Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?.
Clarice Lispector
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Clarice Lispector
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Lançamento de Livro: Como Entender as Mulheres
04:57
Fhenso Funk Music
Ainda bem que é resumido!!!!
Lançado o primeiro volume resumido do livro:
“Como entender as mulheres”.
Muito bom e prático!
A importância da qualificação pelo estudo !!!!!!
04:55
Fhenso Funk Music
QUANDO SE TEM DOUTORADO
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1758), isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, os quais configuram pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzido nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera(Linneu, 1758). No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.
QUANDO SE TEM MESTRADO
A sacarose extraída da cana de açúcar , a qual ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino e apresentando- se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.
QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e apresentando- se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal tem similaridade com o sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.
QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.
QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.
QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO
Rapadura é doce, mas não é mole, nã
"Não existe meritocracia no Brasil!"
04:51
Fhenso Funk Music
Luiz Carlos Prates tem razão! Entre tantos outros tópicos: "Falta homem no Brasil!".
"Não existe meritocracia no Brasil!"... E assim continuamos um país subdensenvolvido e que é motivo de chacota mundo a fora...
É TRISTE MAS É VERDADE........ . sexta-feira, 27 de maio de 2011
Um Café com Arte
04:52
Fhenso Funk Music
Cenas da Vida.
Um Café com Arte.
Rogério Dezzotti
Encontrava-me à mesa próxima à grande vidraça, pela qual, podia-se ver boa parte da rua, alguns comércios, além de grandes árvores nas calçadas. Na tentativa de esquecer tantos fatos absurdos e tantas outras coisas, que lá fora aconteciam. Como, crianças recém-nascidas abandonadas nas ruas-mães, assaltos nos coletivos, meninos cheirando droga pelos cantos da cidade e muito mais... Comigo, apenas três cadeiras vazias por companhia. Na última vez, M.J. estava aqui.
Os pingos da chuva corriam pelos vidros até as pequenas flores na parte inferior da janela. Esperava a chuva acalmar-se, apreciando uma boa xícara de café, olhando o tímido e silencioso movimento em frente do Café. Apenas um ir e vir de alguns guarda-chuvas desordenados. Nenhuma face conhecida a passar pelas calçadas da Campos Sales.
Ora tomava um pouco do café, ora me esquecia com o cigarro em frente do meu olhar, deitando-o, depois num cinzeiro. Por algum motivo, sufocava algumas lágrimas, que pareceriam vir à tona a qualquer momento. Não queria chorar. Olhei a minha volta e fitei meus olhos na xícara. O aroma forte que subia, entrava em meu ser e, pouco a pouco, deixei-me perder numa reflexão. Quando dei por mim, estava longe, muito longe. Lá estava eu, sentado nos degraus da escada, junto à porta da cozinha, na fazenda onde nascera. Por um momento, um nó se fez em minha garganta. À sombra da frondosa paineira em flor, mamãe lavava roupas, ouvi sua voz triste, cantar um refrão de que sempre me lembrarei. – “No céu, no céu, com minha mãe estarei...” – Parecia alegre, sua voz doce como a sabiá laranjeira, mas sei que apesar de tantas coisas... Mamãe já está no céu.
Certa vez, ao voltar para casa, lavando roupa alguém se encontrava e, num ato sem pensar, gritei forte:
- Mãe!?
Não, não era mamãe; era minha irmã que trajava o vestido que a ela pertencera. Chorou minha irmã; chorei também. Como pôde, depois de tanto tempo que falecera, uma simples peça de roupa velha ser o bastante para mamãe fazer-se presente. Ainda que somente naquele breve momento. “Vem me encontrar mãe! Vem pelo amor de... Preciso da Senhora”.
Esse grito histérico, porém silencioso que me rasga a alma neste instante e junto com este pensamento, as lágrimas que tentei sufocar a pouco romperam, escaparam com a fumaça do cigarro que subiu no ambiente em semicírculos entre outras formas indefinidas. Neste momento ainda, recordo da vela que, num gesto simples, acendia quase todos os dias para mim. Quantas vezes eu a escutara no cômodo escuro a orar por mim baixinho, para que ninguém acordasse naquelas horas em que todos os outros dormiam. E ela ali de joelhos a pedir. Mamãe como dói, como essa lembrança dilacera, aqui dentro de meu peito agora. Quanto me amou! Resta-me pedir perdão. Se até mesmo neste momento faço-a sofrer.
Tentei disfarçar, olhando para a árvore que já não pingava mais tão intensamente. Percebi-me na imagem fria do espelho da parede, que estava atraindo olhares curiosos. No entanto, ninguém sabia o que estava acontecendo comigo. Sentia-me como resto intragável, azedo que mais um dia vomitara. Na realidade, estava percebendo, raciocinando, questionando o meu viver e o dos outros. O que é o viver? Preciso de uma resposta, mas, não agora.
Somente consigo pensar, que por companhia, entre uma saída e outra, tenho a solidão e meus pensamentos que levo. Até aonde ir? Se esta vida fere. É... No cansaço do meu andar, muitas vezes, o olhar que lancei na vida se perdeu em procurar nos vãos dos caminhos desta estrada uma esperança.
Fica cada vez mais, estampado pelo suor, neste rosto, o de-
sespero dos pedidos feitos nas preces do dia a dia. E agora que o cansaço começa a chegar, são sinais de que a vitalidade, os risos ingênuos de outros tempos estão por findar?
Mas, por fim, as lágrimas que antes tentei disfarçar são as mesmas que novamente começaram a correr em minha face e foram se encontrar na xícara sobre a mesa e desenharam círculos no café.
Mas, por fim, as lágrimas que antes tentei disfarçar são as mesmas que novamente começaram a correr em minha face e foram se encontrar na xícara sobre a mesa e desenharam círculos no café.
Olhei para fora mais uma vez... Entretanto, enquanto se está vivo, é preciso aprender a recomeçar e continuar vencendo os males dos dias. Amanhã, quando sair de novo, levarei comigo o amor, porque a cada dia quero reaprender um novo significado para a vida. Mesmo que, seguindo por entre o peso dos dias e dos pensamentos, mesmo assim, quero saber sorrir para os sonhos.
Era assim que M.J. sempre falara numa destas cadeiras que hoje se encontram vazias aqui nesta mesa. Ela passava horas a me dizer – Menino-homem um dia todos nós crescemos e neste crescer muitas coisas vão ficando pelos caminhos. O tempo se encarrega de levar tudo e trazer também. É necessário aprender com tudo isto. E entender a arte de como a vida é simples. É como ela sempre dizia:
- A gente nunca deve deixar de sonhar.
Sim, hoje entendo a simplicidade da vida por um lado e por outro, vejo o tanto que a complico em muitos momentos desse meu viver. Contudo, o tempo não me propiciou hoje, nestas cadeiras, estar mamãe, M.J. e a felicidade. Mas, ainda posso ter a esperança de encontrar a felicidade...É.
Todavia, lá fora a garoa tímida caia, como o movimento pelas calçadas, que continuava sem muita ordem. Rostos sem risos. Estava ficando tarde e era preciso que eu partisse, que me juntasse aos tantos outros lá fora e me fosse.
_________________________
Rogério Dezzotti._________________________
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Afinal, quem fala corretamente?
09:27
Fhenso Funk Music
Provocou grande polêmica a revelação de que uma obra incluída pelo Ministério da Educação em seu programa de livros didáticos para jovens e adultos autoriza seus leitores a utilizar construções como "nós pega o peixe".
A autora do livro em questão, Heloisa Ramos, e seus defensores, inclusive o próprio MEC, argumentam que a obra apenas apresenta a possibilidade de variantes populares da língua também serem eficientes na comunicação. De fato, a frase "nós pega o peixe" é plenamente compreensível.
Mesmo assim, o barulho que se fez tem sua razão. Afinal, espera-se de um livro didático que instrua o estudante sobre os melhores usos da língua. Que se reconheçam a existência e a eficiência de registros populares é uma coisa. Outra, diferente, é eliminar, para quem ainda está aprendendo, a noção de certo e errado. Não importa que muitos acadêmicos não reconheçam esses conceitos como válidos em se tratando de registros linguísticos. Para estudantes, certo e errado servem de referência.
Gostaria, porém, de ver se levantar o mesmo alarido crítico pelo fato de a chamada "norma culta" - a variante linguística que emprega as regras gramaticais vigentes - ser maltratada diariamente até mesmo por muitos daqueles que criticaram o MEC e o tal livro.
Um exemplo muito comum de maltrato é o uso de "onde" como pronome relativo mesmo quando na oração não há indicação de um lugar físico. Você já deve ter ouvido ou lido algo assim: "Vivemos numa época muito difícil, onde a violência gratuita impera". Nesse caso, o correto seria usar "em que" ou "na qual", já que se fala de um tempo, não de um lugar.
Ora, mas vivemos mesmo numa época muito difícil, na qual o ensino do português tem sido cada vez mais burocrático, o incentivo à leitura de livros é mínimo e a rapidez da internet dá a impressão de que a gramática e a ortografia são conhecimentos dispensáveis Não se trata de defender apenas o uso de um português castiço, como se todos devêssemos escrever como Machado de Assis. A língua é e deve mesmo ser algo vivo, em constante transformação. Mas a evolução não pode se dar pela corrupção.
Fonte: http://www.destakjornal.com.br
A autora do livro em questão, Heloisa Ramos, e seus defensores, inclusive o próprio MEC, argumentam que a obra apenas apresenta a possibilidade de variantes populares da língua também serem eficientes na comunicação. De fato, a frase "nós pega o peixe" é plenamente compreensível.
Mesmo assim, o barulho que se fez tem sua razão. Afinal, espera-se de um livro didático que instrua o estudante sobre os melhores usos da língua. Que se reconheçam a existência e a eficiência de registros populares é uma coisa. Outra, diferente, é eliminar, para quem ainda está aprendendo, a noção de certo e errado. Não importa que muitos acadêmicos não reconheçam esses conceitos como válidos em se tratando de registros linguísticos. Para estudantes, certo e errado servem de referência.
Gostaria, porém, de ver se levantar o mesmo alarido crítico pelo fato de a chamada "norma culta" - a variante linguística que emprega as regras gramaticais vigentes - ser maltratada diariamente até mesmo por muitos daqueles que criticaram o MEC e o tal livro.
Um exemplo muito comum de maltrato é o uso de "onde" como pronome relativo mesmo quando na oração não há indicação de um lugar físico. Você já deve ter ouvido ou lido algo assim: "Vivemos numa época muito difícil, onde a violência gratuita impera". Nesse caso, o correto seria usar "em que" ou "na qual", já que se fala de um tempo, não de um lugar.
Ora, mas vivemos mesmo numa época muito difícil, na qual o ensino do português tem sido cada vez mais burocrático, o incentivo à leitura de livros é mínimo e a rapidez da internet dá a impressão de que a gramática e a ortografia são conhecimentos dispensáveis Não se trata de defender apenas o uso de um português castiço, como se todos devêssemos escrever como Machado de Assis. A língua é e deve mesmo ser algo vivo, em constante transformação. Mas a evolução não pode se dar pela corrupção.
Fonte: http://www.destakjornal.com.br
sábado, 21 de maio de 2011
Que língua a escola deve ensinar?
17:03
Fhenso Funk Music
Que língua a escola deve ensinar?
Os linguistas sabem que o Português é muito mais amplo do que a língua escrita culta que é ensinada na escola — mas a escola sabe, mais que os linguistas, que essa é a língua que ela deve ensinar.
Um grupo de estudantes de Letras veio me visitar: faziam um trabalho para a faculdade e queriam a minha opinião sobre o papel do professor de Português “neste novo milênio, frente às novas teorias lingüísticas e aos novos meios eletrônicos de comunicação”. Não pude deixar de sorrir diante de tanta novidade numa frase só; olhei-os com simpatia — todos vão ser meus colegas, em breve — e respondi que o nosso papel continua a ser o mesmo de sempre: transmitir ao aluno a língua da nossa cultura e ensiná-lo a se expressar em prosa articulada.
Talvez tenham ficado espantados com a resposta, mas eu não estranhei a pergunta deles. Sei que o avanço da Lingüística, com tudo o que nos trouxe de bom, provocou também essa curiosa insegurança da escola quanto aos objetivos do ensino do nosso idioma. No entanto, faço questão de repetir que esses objetivos não mudaram e não devem mudar, por mais que os argumentos em sentido contrário pareçam engenhosos. Um lingüista, por exemplo, convidava seus leitores a imaginar um documentário de TV em que o narrador informasse que a canção de acasalamento da baleia azul continha vários erros grosseiros, ou que os gritos dos chimpanzés da Malásia vinham degenerando progressivamente. Seria absurdo? Ora, se não podemos falar em erros da baleia azul, perguntava ele, triunfante, como podemos falar em erros na fala humana? Como pode a escola tentar impingir uma variedade do idioma, tachando as demais de inadequadas? — e por aí ia a valsa.
A este tipo de raciocínio engraçadinho, que obteve grande sucesso nos anos 70, contraponho uma verdade que todos nós conhecemos: os lingüistas sabem que nosso idioma é muito mais amplo do que a língua escrita culta que é ensinada na escola — mas a escola sabe, mais que os lingüistas, que essa é a língua que ela deve ensinar.
O que a escola faz, e tem a obrigação de fazer — porque só ela pode fazê-lo de maneira progressiva e sistemática — é ensinar o futuro cidadão a se utilizar dessa forma tão especial de língua que é a língua escrita culta, cujas potencialidades espantosas aparecem na obra de nossos grandes autores. Machado de Assis, Vieira, Eça de Queirós, Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre, cada um à sua maneira, são ótimos exemplos. É nesta língua que se cria e organiza a maior parte de nosso pensamentos e sentimentos, seja escrevendo, seja falando (pode parecer paradoxal a inclusão da fala, mas não é; há muito se distingue a língua que o indivíduo fala antes do seu letramento e a língua que ele fala depois). Todas as demais variedades são respeitáveis como fenômeno cultural e antropológico, mas não é nelas que a escola deve concentrar seus esforços.
Nosso aluno espera que ensinemos a ele a usar essa língua que constitui a modalidade do Português que todas as pessoas articuladas aceitam como a mais efetiva para expressar seu pensamento. Dizendo de um jeito mais rude: se houvesse forma melhor, ela estaria sendo usada. Todas as sociedades reconhecem isso; o velho Bloomfield, um dos lingüistas “duros” do estruturalismo americano, ressaltou que a comunidade, em várias tribos de nativos por ele estudadas, sabia apontar muito bem aqueles que falavam melhor do que os outros. Na sua sabedoria, o público maciçamente tem repelido as tentativas desastradas de fazer a escola aceitar como válida toda e qualquer forma de expressão. Quem não lembra a triste moda dos anos pós-Woodstock, em que defendíamos com entusiasmo a valorização da linguagem do vileiro como algo digno de ser preservado? Hoje sabemos que nada mais era do que uma alegre fantasia da classe média acadêmica, que terminava cristalizando uma categoria de excluídos, contra a vontade de seus pobres falantes. “Não é para isso que a gente estuda”, dizem eles — e chamá-los de conservadores é o mesmo que dizer, com arrogância, que nós é que sabemos o que é bom para a sua vida. Já vimos isso na política, em que alguns têm a petulância de dizer que o povo não soube escolher …
Agora, por que a prosa? Porque escrever prosa nos torna homens mais exatos, como percebeu Francis Bacon. Escrever é disciplinar o pensamento; o domínio da prosa impõe rigorosa disciplina à nossa mente. Ao escrever, vamos deixando uma trilha do nosso pensamento, permitindo que voltemos sobre nossos próprios passos para encontrar o ponto em que nos desviamos da rota certa e onde nos enganamos. Além disso, precisamos seguir uma série de convenções que permitam que as outras mentes acompanhem o caminho descrito pelo nosso raciocínio. Não vou exagerar, mas acredito que o pensamento articulado é impossível para uma pessoa que não consiga construir um texto coerente e também articulado — e não tenho certeza do que aqui é causa, o que é efeito. Uma escola que não ensine o aluno a escrever com clareza e coerência está comprometendo algo muito mais profundo que aquilo que os antigos chamavam de uma “boa redação”.
Muitos alegam que essas regras são mantidas apenas porque é assim se afirma o poder da elite, dividindo a população entre os que conseguem e os que não conseguem entendê-las. Em parte, é verdade: quem as domina consegue expressar-se melhor e argumentar melhor, o que resulta inevitavelmente em maior poder sobre os outros. Mas não são regras estabelecidas por capricho ou por acaso; nasceram da experiência acumulada em milhares de tentativas de expressar-se articuladamente no Português, ao longo dos últimos oito ou nove séculos, num esforço gigantesco que produziu esse magnífico instrumento de expressão e de argumentação. Se essa língua é usada para dominar e submeter, pode, com muito mais razão, ser usada para libertar. Em nome da igualdade social, essa é a missão da escola; agora, como fazer isso, em escala universal e democrática, é uma questão que deve ser resolvida estrutural e politicamente pelos governos e pela sociedade, não pelos professores de Português.
[Artigo publicado na revista Arquipélago, do IEL-RS, em 2005].
LEIA MAIS:
Depois do Acordo:
lingüista, Lingüística > linguista, Linguística
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A fotógrafa
07:01
Fhenso Funk Music
Importante, impactante e retratando, em todos os sentidos, o Mundo de hoje.
Um curta de cerca de 5 minutos. Intitula-se A Fotógrafa.
O "suicídio" moral da humanidade ao esquecer a ética para chegar ao sucesso !!! Que cada um de nós tire suas próprias conclusões deste que bem poderia ser um documento muito representativo sobre aquilo no qual temos nos convertido...
Clique no Link do video!
Fonte: Recebido por E-mail - Fernando Souza
O valor do silêncio
06:22
Letras Uniesp 2011
“A paz que procuramos muitas vezes está no silêncio que não fazemos.” Valorizamos tanto o poder das palavras que, por vezes, esquecemo-nos do valor do silêncio. Desde cedo estudamos a nossa língua mãe. Aprendemos a conjugar os verbos, a usar corretamente os pronomes e a cuidar da ortografia. Aprendemos muito sobre a forma, mas nem sempre sobre o conteúdo. Somos muito valorizados pela nossa forma de redigir e de articular as palavras e muito pouco pela nossa capacidade de nos mantermos em silêncio. De tal forma somos compelidos a responder a todas as perguntas, a reagir a todos os ataques, que deixamos de aprender que, por muitas vezes, um silêncio encerra a melhor resposta. O mundo corporativo não caminha, corre a uma velocidade onde não existe tempo para o silêncio reflexivo capaz de trazer as melhores respostas. A vida dos negócios nos fala, ou melhor, grita, que estamos em um mundo competitivo, quase selvagem, e que precisamos responder rápido, falar com propriedade, para não corrermos o risco de sermos deixados para trás. Falar deixou de ser uma escolha, tornou-se uma exigência. Parece não haver mais espaço para a opção de manter o silêncio. Mesmo sabendo que temos uma chance menor do nos arrependermos do nosso silêncio do que daquilo que dizemos, insistimos em falar. Precisamos falar. Muitos profissionais buscam os cursos de oratória para falar melhor. São poucos os que fazem da meditação um hábito. Falamos muito, apesar de não termos muitas convicções a respeito de nada. Aprendemos tão bem a discutir os nossos pontos de vista, a apresentar os nossos projetos, que nos tornamos absolutamente convincentes sobre ideias que nem sabemos ao certo se acreditamos de verdade. As palavras servem como um escudo para a nossa defesa. E, dependendo do perigo da situação, levantamos a voz para marcar o nosso território. Simplesmente nos esquecemos que o grito é a forma de comunicação entre dois corações que estão muito distantes. Por isso, apenas quando estamos enamorados, com os corações próximos, somos capazes de nos comunicarmos por sussurros, abraços e olhares. Apenas aqueles que estão de bem com suas próprias almas são capazes de se comunicar através do silêncio. Se as pessoas à nossa volta, em nossas casas, em nossos locais de trabalho ou em todo o mundo se apresentam de forma atroz, mais uma razão para aprendermos a manter o silêncio, sobretudo nos momentos críticos. As nossas relações se tornam mais sólidas, mais consistentes, mais humanas quando somos capazes de dizer absolutamente tudo sem falar absolutamente nada. Na esfinge encontramos quatro palavras “saber”, “ousar”, “querer” e “calar” que combinadas se tornam uma das mais profundas lições de relacionamento humano. Dentre as diferentes combinações: “saber ousar”, “querer saber”, “ousar querer” , etc, provavelmente as mais difíceis, mais desafiadores e mais gratificantes sejam aquelas que envolvem o calar: “Calar ousar” “Calar querer” “Calar saber” “Saber calar” “Querer calar” “Ousar calar” Saber se manter em silêncio, querer se manter em silêncio e ousar se manter em silêncio, eis aí um bom desafio para todos nós. |
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - Leandro Narloch
09:05
Letras Uniesp 2011
Sinopse de Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - Leandro Narloch: Existe Um Esquema tão repetido para contar a história do Brasil, que basta misturar chavões, mudar datas ou nomes, e pronto. Você já pode passar em qualquer prova de história na escola. Nesse livro, o jornalista Leandro Narloch prefere adotar uma postura diferente – que vai além dos mocinhos e bandidos tão conhecidos. Ele mesmo, logo no prefácio, avisa ao leitor: “Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles estudiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.” É verdade: esse guia enfurecerá muitas pessoas. Porém, é também verdade que a história, assim, fica muito mais interessante e saborosa para quem a lê. Faça o download grátis do ebook Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - Leandro Narloch.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Estou curtindo estudar com esta "1ALEN" e vejo futuros professores aqui.
12:20
Letras Uniesp 2011
Bom dia, Tarde e Noite.
Estou inaugurando nosso blog para que sirva como outra ferramenta no aprendizado.
Vamos aproveitar e publicar o que encontramos de conteúdo voltado a LETRAS.
Participem, sera importante e fundamental para todos.
Ate+
Fernando Henrique
7 fatos sobre o curso de Letras
11:56
Letras Uniesp 2011
7 fatos sobre o curso de Letras: "Eu tenho o péssimo (e útil) hábito de ficar fazendo listas sobre tudo: o que gosto, o que não gosto, músicas, livros e filmes favoritos, coisas que me marcaram... E encontrei no meu caderninho-amigo uma lista com 7 fatos sobre quem cursa ou é formado em Letras - assim como eu, Medeia, linguísta orgulhosa, e a minha estimada amiga Calipso. E são eles:
Resumindo: Letras é o tipo de curso que só quem realmente ama compreende a sua beleza.
1- O curso serve para aprender uma língua estrangeira: Não, não e não. Se você acha que cursar Letras é bom para aprender um novo idioma, está absolutamente enganado. Ao menos não quem acha que vai aprender tudo do zero. O curso procura aprofundar os estudos na área da linguagem de um modo geral, então espera-se que o estudante já tenha algum conhecimento na área - embora isso não signifique que esse hipotético aluno não possa se dar bem nas matérias de língua estrangeira. No meu caso o curso era voltado para a licenciatura, por isso o foco estava na maneira em que poderíamos aplicar aqueles conhecimentos em sala de aula. Para evitar frustrações, faça um curso de idiomas antes ou paralelamente ao curso de Letras.
2- No curso você só vai estudar Gramática Normativa: Se você também espera que o curso vá suprir qualquer tipo de deficiência curricular do ensino básico, sinto muito em decepcioná-lo. Assim como no tópico anterior, o que se tem no curso de Letras é um aprofundamento daquilo que, supostamente, aprendeu-se nos ensinos fundamental e médio. Claro que você aprende, tira dúvidas, mas não espere que no ensino superior as coisas sejam mais “mastigadas”. Vai depender muito da dedicação do aluno em estudar por conta própria. E a gramática pode ser abordada de várias maneiras diferentes no ensino superior, muitas vezes bem menos intimidante do que na escola.
3- “Ah, mas ao menos vou ter tempo para ler”: É a primeira ilusão que cai por terra quando se entra no curso de Letras. São tantos textos a serem lidos e matérias a serem estudadas, que dificilmente vai sobrar tempo livre para leituras paralelas. E até mesmo para as leituras obrigatórias. Ou você abre mão de algumas horas de sono (ou deixa de comer, vai saber...), ou aproveita qualquer minuto livre em filas de ônibus e banco, sala de espera do dentista etc - e põe a leitura em dia. O importante é não deixar de ler e não se deixar intimidar pela quantidade massiva de material literário. Depois de um tempo fica mais fácil administrar isso tudo, você consegue uma certa autonomia em decidir qual leitura merece mais prioridade.
4- Ninguém sabe o que uma pessoa formada em Letras faz: Infelizmente, é verdade. Já perdi as contas de quantas vezes fui alvo daquele olhar vazio e perdido quando digo que sou formada em Letras, pois a pessoa simplesmente não sabe do que se trata. Daí, para simplificar, digo que é um curso que forma professores de línguas - o que não é exatamente isso, mas ao menos não faço uma explanação complexa sobre os estudos da linguagem e a sua importância sócio-cultural-cognitiva.
5- Não existe dia do linguísta: Juro que já procurei e fucei nas internerds, mas não achei nada. O máximo que encontrei foi o “Grammar Day”, comemorando nos EUA no dia 3 de março. E nem existe um equivalente no Brasil (se alguém souber, divida conosco!). Existe dia do biólogo, do matemático, do historiador, mas do linguísta... nada. Até porque, aqui no Brasil, quem se forma em Letras raramente é chamado de linguísta, mas apenas de “professor”. Não tenho problema nenhum em ser chamada de professora, mesmo não exercendo a profissão (aliás, fico até emocionada quando me chamam assim), mas o caso é que não existe muita apreciação na área. O meu único consolo, por enquanto, é saber que existe dia do Tradutor - então vou poder comemorar alguma coisa relacionada diretamente à minha área de atuação.
6- As matérias não são isoladas, mas acabam integrando-se de uma forma ou de outra: Ah, você entrou no curso porque gosta de literatura, mas detesta gramática? Amigo, vou te contar uma coisa: vai ser difícil escapar da bendita gramática nas aulas de literatura. Assim como também não vai fugir de Linguística quando estudar Teoria Literária. Ou nas aulas de Língua Inglesa. Isso quando tudo não vem misturado nas aulas de Estilística ou Linguística Textual, caso as matérias façam parte do seu currículo. Não existe uma caixinha com compartimentos onde se possa guardar os conhecimentos separadamente. Tudo está linkado.
7- A incapacidade de ler algo despretensiosamente: Teu namorado te escreveu um cartão lindo para o Dia dos Namorados. Ele pode não ter escorregado na gramática, mas você vai analisar cada palavra, cada vírgula, em busca de algum sentido maior (Bem-me-quer, Mal-me-quer... será?). Vai analisar o estilo do texto, a escolha de palavras e o uso de estruturas sintáticas. Ler um livro bobo, para se distrair na viagem à praia, pode acabar se tornando o tema de um possível artigo acadêmico porque você começa a pescar referências e a ter ideias sobre como aquele texto foi estruturado, ou o discurso por trás daquele parágrafo em específico... Em suma: linguísta não consegue ler nada sem analisar e criticar. E, para nós, isso é a alegria suprema porque estamos constantemente cercados por material de estudo, sempre instigando a nossa criatividade e raciocínio crítico.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Crime e castigo
12:01
Letras Uniesp 2011

Crime e castigo
Fiódor Dostoiévski
Em Crime e castigo, o escritor russo trata com perfeição uma das questões mais importantes de sua obra: a transgressão das leis morais em busca de uma maior liberdade e as dramáticas conseqüências de essa atitude, refletidas na angústia e no tormento que perseguem Raskólhnikov após o duplo homicídio? Sentimentos que o acompanharão até o final do processo, que culmina com uma pena de sete anos num campo de trabalho da Sibéria.
Quando Dostoiévski começou a trabalhar no livro, no verão de 1865, ele estava deprimido e em uma situação financeira difícil devido a dívidas de jogo. Ameaçado por credores, o escritor firmou um contrato nada vantajoso que concedia aos editores inúmeros direitos sobre suas obras seguintes. Em 1866, quando os primeiros capítulos da história começaram a aparecer em periódicos, N. N. Strakhov, um crítico russo do século XIX, observou que o romance era tão poderoso que as pessoas ficavam agitadas ao lê-lo devido à tensão dramática, às descrições fiéis e principalmente às questões morais envolvidas na trama. Há mais de um século críticos buscam enquadrar o romance de Dostoiévski em uma categoria, oscilando em classificá-lo como um romance político, um estudo psicológico ou mesmo um tratado religioso. O certo é que Dostoiévski criou um personagem que é universal, alguém com quem o leitor pode simpatizar, sentir pena e até mesmo se reconhecer ? o que fez com que a obra seja cada vez mais lida e apreciada.
Fonte: Portal PDL
Google lança livraria digital com mais de 3 milhões de títulos
11:59
Letras Uniesp 2011
[Notícias] Google lança livraria digital com mais de 3 milhões de títulos: "
![[Notícias] Google lança livraria digital com mais de 3 milhões de títulos google editions [Notícias] Google lança livraria digital com mais de 3 milhões de títulos](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_vIS4_dUk7StcIlr61o-YdyJyg_LAN30ct8AUFVBwW0IIJLtDflWJuiyD4Z4o_LSYvU7aWV1Iqc3CRwtG9_WWgGYhOoVT3yraBXFKmB7KCHtymXKh9xwSfB5qTeOeJca1ZVSEn1zQ=s0-d)
O Google lançou nesta segunda-feira (6) o “Google Books”, a maior livraria digital da internet, segundo a empresa, com mais de três milhões de títulos disponíveis.
Com o novo serviço, a companhia espera competir com a Amazon, fabricante do leitor digital Kindle que domina o mercado de livros eletrônicos.
Com três meses de atraso, o projeto foi lançado nos Estados Unidos com um nome diferente do que era esperado – “Google Editions“.
“Acreditamos que essa será a maior biblioteca de livros eletrônicos do mundo”, disse o porta-voz da empresa Jeannie Hornung. “Incluindo os livros gratuitos, tem mais de três milhões de títulos disponíveis no novo serviço”.
Fonte: G1
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